quarta-feira, maio 17, 2006
Travessia do deserto
Uffff.... mais um dia que se passou. Cada dia que sobrevivo á longa caminhada até ao local onde estou a tirar um curso, para mim, é uma vitória do Homem sobre a natureza. Vejam por exemplo hoje, depois de ter almoçado um belo de um bacalhau-á-braz, que por sinal até se encontrava meio salgado, decidi por-me a caminho do local do curso. Então, lavei os dentes, a cara, as mãos, pus os ocúlos de sol, peguei nas chaves de casa e pus-me a caminho. Mal abro a porta da rua sou atingido por uma vaga de ar quente que automaticamente secou as poucas gotas de água que inda tinha no rosto. Pensei pra mim: "Deixa lá Anibal, não há de ser nada, afinal de contas são só uns 700metros até lá".- e continuei a caminho. Assim que dei volta ao canto da rua já o meu corpo pedia água. Passei por um daqueles placards electronicos que nos dizem a temperatura (como se o nosso corpo não sentisse) e marcava 38ºC, o que para esta altura do ano é um recorde. Inda pensei em voltar para trás porque o bacalhau estava a fazer das suas ao meu organismo e começava a sentir uma necessidade extrema desse tão precioso liquido que é a água, mas depois pensei: " O que faria o Steven Seagle numa situação destas?Ele nunca ia desistir."- e decidi continuar. A meio do caminho já eu tinha a camisa colada ás costas, e agora, em vez de gotas de água a escorrer pela cara, eram gotas de suor, salgado como o bacalhau, o que me fazia inda ter mais e mais sede. Continuei a andar na esperança de chegar á fonte mais proxima para finalmente poder saciar a minha sede refrescar-me um pouco. Quando estou mesmo quase a lá chegar olho com mais atenção e o que é que eu vejo? A torneira estava partida. Pensei: "Bem! De qualquer maneira já só faltam uns 150metros para chegar...vou andando e logo compro uma garrafa de água na pastelaria." Segui o meu caminho. Inda não me tinha recomposto da desilusão com a fonte quando pára ao meu lado um Mercedes de matricula espanhola. O senhor semi abre o vidro (eu senti o fresco do ar condicionado), olha para mim, fecha o vidro e vai-se embora a rir. Eu sei que devia ter aspecto de quem tinha corrido a maratona de Lisboa mas acho que inda estava capaz de dar indicações a alguém. Achei por bem não me irritar com aquilo e concentrar todas as minhas energias de maneira a chegar ao café inda com forças para desenroscar a tampa da garrafa de água que á mais de 20 min ambicionava beber. Finalmente cheguei ao café. Ahhh que fresquinho tão bom... quem inventou o ar condicionado só pode mesmo ter sido um alentejano. Dirijo-me ao balcão, jogo a mão ao bolso de trás das calças, depois ao outro bolso, e novamente ao outro......tinha-me esquecido da carteira em casa. Moral da historia: Se quiseres seguir o exemplo de alguém não escolhas o Steven Seagle
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário